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| A Fé Nossa de Cada Dia |
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 Por Carlos Marcelo Palestrante e Consultor em Responsabilidade Social e RH. Diretor Executivo da Darumasan Projetos Sociais marcelo@darumasan.com.br
Nunca se falou tanto em espiritualidade e em Deus em ambientes organizacionais. Seja em trabalhos dentro das empresas ou em congressos, o tema ganha cada vez mais espaço. Parte da responsabilidade desse tema estar em foco pode ser atribuída ao sucesso de algumas publicações literárias que abordam direta ou indiretamente o assunto. Cabe uma indagação: O sucesso literário - Os livros vendem mais devido o interesse das pessoas, ou o interesse das pessoas é pelo fato de os livros venderem mais? É um fenômeno de necessidade coletiva, ou uma excelente estratégia de marketing? Particularmente acredito que são os dois casos.
Observando a realidade do ambiente organizacional, muitos são os profissionais que cada vez mais se questionam sobre o sentido daquilo que fazem dentro de suas empresas, divididos entre uma garantia de salário que é aditivado com um pacote de benefícios, mas tendo que reproduzir comportamentos e resultados profissionais sem questionar, em muitos dos casos, sem encontrar satisfação alguma naquilo que se está fazendo, ou, para muitos a loucura de arriscar, ousar e tentar encontrar algo que realmente possa conciliar prazer e remuneração adequada.
Por gerações fomos condicionados ao concreto e racional, na busca por conquistas externas, não reservando nem tempo nem espaço para reflexões e questionamentos para o entendimento das próprias necessidades. Como diz a letra da música Comida do grupo Titãs, “... A gente não quer só comida. A gente quer bebida, diversão balé. A gente não quer só comida. A gente quer a vida como a vida quer. Bebida é água. Comida é pasto. Você tem sede de que? Você tem fome de que?...”. O Ser Humano está começando a se questionar sobre sua existência e sobre o sentido que se tem em existir. Isso pode ser facilmente percebido pela quantidade de pessoas insatisfeitas com o que estão fazendo. E tal fato não se restringe aqueles que estão desempregados ou ganhando pouco, em muitos dos casos o questionamento e a insatisfação, parte de indivíduos que mesmo tendo conquistado boas posições profissionais e sociais, bens materiais e uma condição financeira estável, se sentem vazios e incompletos.
Que vazio é esse? O que pode preencher esse vazio? As respostas não estão fora, estão dentro de cada um. Não tem receita, manual ou curso. É uma formação autodidata e pelo método Braile, ou seja, nada se vê apenas se sente. Mergulhar em si e questionar suas crenças e valores é muito difícil e delicado. É semelhante a se ter um Windows 98 e querer instalar o XP, só que no computador você salva todos os arquivos, tira um e coloca o outro. No nosso caso não é assim, primeiro não tem como salvar nossos arquivos em CDs, depois vem o mais complicado, temos que instalar um programa mais atualizado ao mesmo tempo em que desinstalamos o programa “obsoleto”.
Voltando aos questionamentos. Nossa cultura sempre foi a de buscar explicação cientifica para construir o conhecimento, onde a lógica e a razão nos conduziam a informação, ao saber. Fenômenos que não podiam ser explicados eram, e ainda são, ignorados. Existem “coisas”, fenômenos, que não podemos ver ou tocar, mas sabemos que existem, um deles é esse vazio que muitos alegam sentir. Podemos dizer que é um Vazio de Espírito. Novamente os questionamentos. Como amenizar esse vazio? O que pode ser feito?
Em muitos dos casos o vazio é amenizado em ações voluntárias, em outros é através da religião. Ao Analisarmos o sentido da palavra religião, que vem do latim, religare, que quer dizer religar, religar a Deus. Podemos observar Deus não como um Ser ou entidade superior, mas sim como o sentido do todo, podemos dizer que quando se busca a religião, busca-se religar o sentido da nossa existência a um sentido maior, que é o todo.
Muitas vezes tentamos nos vincular a uma religião e acabamos não nos permitindo, isso ocorre pelo fato de nosso sentido particular estar muito mais presente e necessário que o sentido do todo. Na maioria das vezes só nos permitimos estabelecer a religação quando temos nossos alicerces de crenças e valores abalados. Em muitos casos é necessário desconstruir tudo que foi aprendido, ou, estabelecido como verdade, para poder entender uma nova ordem e sentido para nossa existência.
Independente de linha religiosa, que seja A, B ou C, a espiritualidade existe. Podemos definir espiritualidade como uma energia que não se vê ou se toca, mas se sente. È o sentido que damos as ações e a nossa vida. É fato que estar em consonância com nossa espiritualidade nos traz a sensação de paz e tranqüilidade.
Uma das principais características necessária para se atingir um objetivo é a Fé. Ter Fé é muito mais que aceitar, é muito mais que querer, não depende de credo ou religião. Quando tudo parece perdido, quando nada mais faz sentido, é a Fé que nos mantêm de pé e nos faz tirar forças e prosseguir.
A Fé está vinculada a Auto-estima. Só realizamos ou construímos algo quando temos Fé em nós mesmos, quando temos a certeza de que estamos comprometidos e responsáveis de Corpo e de Espírito. O Livre Arbítrio não é apenas a condição de poder escolher, é muito mais que isso, é o Poder que se tem em dar Sentido as atitudes que tomamos durante nossa existência.
Para se existir é necessário assumir os riscos ao fazer acontecer e se responsabilizar pelo resultado. Não se existe para o passado, só se existe para o futuro. O que se faz hoje não existe e muito menos faz sentido ou interfere nas gerações passadas, que viveram décadas ou séculos antes de nós. Independente do que fazemos hoje, a humanidade e tudo que existe nela só existirá se existirem novas gerações. Para existir eu preciso do outro, seja no passado, no presente ou no futuro. Para existir é preciso ter as atitudes reconhecidas, mesmo contestadas, criticadas ou desaprovadas. Um ditado exemplifica bem isso: “Falem mal de mim, mas falem”. As criticas são presentes que ganhamos para evoluir, pois só existimos pelo relacionamento e pelo reconhecimento, caso contrário não faz sentido algum estar aqui.
E a Fé nas Organizações? Bem, a Fé é quem determina a dimensão da nossa existência. Organizações nada mais são do que pessoas reunidas em um objetivo comum, sendo assim a Fé de uma organização está no somatório da Fé de cada um que compõem essa Organização.
Cada Um tem sua importância, necessidade e responsabilidade na construção de um mundo melhor para nós mesmos e para as próximas gerações.
Apenas para refletir é bom lembrar que na ignorância ou na omissão existe o risco de não se existir. Questionamento final. Onde suas atitudes irão fazer você chegar?
Tenho Fé que eu posso melhorar o mundo! Que você pode! Nós podemos!
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